O outro exército parecia nao se abalar pela inferioridade numérica. seus lideres gritavam palavras que eu nao conseguia entender e era sempre respondido com gritos eufóricos de todos ao seu lado.
Na linha de frente de meu exercito estava nosso capitao, que liderava nosso exercito ja a muitas batalhas. Ele gritava no máximo de sua voz mensagens de incentivo, e a cada frase dita por ele a euforia de nossos homens aumentava cada vez mais. "Hoje lutaremos não só por nossas vidas, mas pelo nosso Deus". "no final do dia, os cadáveres de nossos inimigos estarão no chão, seus sangues em nossas espadas e suas almas presas no tártaro por se colocarem no caminho da vontade de Deus". Essas eram algumas de suas varias frases enquanto aguardavamos a luta decisiva que estava por vir.
Mas aquela flecha, que ninguem via se aproximar, me intrigou. Acompanhei de onde ela teria vindo. Me recusei a acreditar no que estava vendo ali. Nada menos que um anjo segurando um arco dourado que brilhava semelhante à flecha que vinha em nossa direçao. O anjo emitia uma luz que era bem mais forte que as descriçoes que eu ja havia lido ou as ilustrações e pinturas que decoravam as igrejas e templos de onde vim. ele tinha a estatura de um homem alto, com o porte de um rei dos mais nobres. Sua armadura parecia leve e fina. Havia alguns simbolos desenhados. Um pentagrama no meio do peito e nenhum outro que eu reconhecesse. Me pareceu obvio que ninguém mais via aquela figura tão imponente que estava no meio do outro exercito, nem mesmo os adversários davam qualquer sinal de que havia um anjo em pé ali. eu nao podia entender, se estavamos lutando pelo lado de Deus, por que havia entre os inimigos um anjo? Nisso me questionei sobre se realmente éramos nós que representávamos Deus naquele campo de batalha, mas algo dentro de mim me garantia que sim.
Enquanto eu encarava aquele homem com 2 pares de asas, ele percebeu que eu o via ali e de imediato me olhou. Quando os olhares se cruzaram eu imediatamente me senti frio e vazio por dentro. Parecia que esse vazio devorava minha alma aos poucos, mas eu nao conseguia desviar o olhar. Ate q o anjo voltou sua atençao para a flecha, que ja chegava próxima de seu destino.
Ate que enfim a flecha cai. No mesmo instante todo o exercito que antes eufórico e aos gritos se calou. Ate os inimigos silenciaram para ver o que ocorreu com nossas tropas. Durante alguns instantes aquele silencio ecoava em meus ouvidos, e parecia mais alto que qualquer barulho que eu ja havia ouvido. A flecha havia atingido nosso general, que no meio de um de seus gritos teve sua cabeça atravessada. Ela parecia ter sido cuidadosamente colocada afim de causar o maior impacto sobre aqueles que viram o que ocorreu. A flecha atravessou o capacete acima da nuca e saiu pelo olho do general, o qual deu um breve suspiro e antes de perceber o que ocorreu caiu sem vida no chão. Seu corpo sem vida ficou intocado e ninguém ali conseguiu sequer esboçar uma reação.
Nesse momento um grito vindo do líder do outro exercito rasgou o silencio. Então seus guerreiros começaram a correr em nossa direção, com suas espadas em punho e sede de sangue nos olhos. Quando olhei denovo para onde o anjo estava, nao havia nem sinal de que ele esteve ali. Nesse instante -vendo o semblante de medo e descrença no rosto de meus aliados- eu soube que independente das vantagens que possuíamos, aquela batalha estava perdida. Com uma unica flecha aquele anjo derrotou um exercito inteiro.
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