Copiado daqui: "Ama de Amor, de amado, de amora.."
É necessário muito tempo para falar do que sinto.
Sinto que preciso que o tempo corra, para por fim a todas as voltas que dei.
Ainda sou pequena, e quero continuar a ser, do mesmo modo que quero crescer diante daquilo que sou.
Não é fácil, olhar com doçura para o medo, por isso me encolho no primeiro abraço que encontro. Sinto-me protegida. Continuo na minha carinhosa pequenez.
Choro e ninguém entende o porquê, abro um sorriso alto todos me deliberam, dou um passo quieto enquanto os outros cansaram de contar mil rotas. Sou percebida como boba-louca-lenta.
Enigmático espelho que carrego em minhas mãos. O que reflito é às vezes tão conflito que me desespero. O que reflito às vezes é tão bonito que me revérbero.
Eu harmonizo assim: Percebo coisas minúsculas dos meus próprios olhos e dos alheios que ninguém nota. Faço ponte, pincel e plateia. Escrevo e me encontro.
Loucura, sim. Todo louco tem uma dose alta de sensibilidade.
Bruna Fávaro
"(...) eu me ocupava com medo de esperar; sem falar que estava permanentemente ocupada em querer e não querer ser o que eu era, não me decidia por qual de mim, toda eu é que não podia; ter nascido era cheio de erros a corrigir..(…) -na minha pressa eu crescia sem saber para onde. (…) "
Clarice Lispector. Legião Estrangeira - Os desastres de Sofia Pg.12
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