7 da manhã, e lá estava eu. Jogando aquele despertador idiota na parede.
7:30 levantar, fazer café, me queimar com o café, coar o café, assistir
o Bom dia Brasil. Observo as pessoas da faculdade, e aquela mulher que
vende o meu almoço sempre passando 1 real do preço normal. Por dia,
recebo em média 10 ligações, metade delas são da minha mãe. 5 da tarde,
passo no mercado e compro miojo, doces, cigarros e ração para o meu
cachorro. Converso com aquele velho senhor, que fica sempre sentado
debaixo daquela árvore lá perto de casa. Assisto aquela novela tosca e
depois vou ler algo. Isso acontece todos os dias. Poucas coisas mudam,
na verdade. Algumas vezes as pessoas sorriem para mim, outras não. Manhã
passada, o despertador não tocou. E eu não fiz o café. Foi aí que
percebi que algo estava errado. “Como seria a rotina das pessoas, se eu
não estivesse mais aqui? ” Essa pergunta me trouxe a tona, diversas
outras perguntas. Aquelas do tipo. “Será que alguém me ama? Meu cachorro
vai ficar bem? Alguém vai lembrar de mim, pelos próximos 50 anos?” Eu
não gostaria de saber as respostas. Eles vão olhar para minhas fotos e
vão sorrir ou chorar. Esses surtos de emoções rápidas. Alguns vão chorar
por dias, sem derramar se quer uma lágrima. Outro vão esquecer tão
rápido. Meu despertador não vai mais tocar as 7 da manhã, e eu não irei
mais me queimar com o café, ou receber ligações. Outros milhares de
telespectadores vão assistir o Bom dia Brasil, e aquela mulher vai achar
outras pessoas para roubar 1 real. Aquele Senhor não vai mais me falar
sobre o seu tempo de juventude, e meu cachorro não vai mais me lamber
quando chegar em casa. As coisas vão mudar, em um curso mais rápido. E
do nada, serei apenas memórias. Isso vai passar com o tempo, e sabe qual
é a pior parte? As pessoas só nos conhecem depois que morremos.”
| — | Orquestrando. (via eu-poetico) |
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