No final das contas, esse "buraco no peito" é uma parte de mim. Em grande parte ele simboliza pra mim o que eu sou. Se fosse desenhar uma caricatura minha, da minha vida, eu me representaria com um buraco no peito representando tudo de que sinto falta. Mas não só isso, me acostumei a ser como sou e passei tantos anos pra aceitar dessa forma e simplesmente dizer "foda-se" pro que os outros pensam ou pensariam, suas reprovações, criticas, exigências, falsidades. Acho que hoje sou um conjunto de meus defeitos, um agrupamento de tudo que não gosto em mim mesmo e que cada vez mais se tornam aquilo que chamo de "eu". Essa massa densa e negra cobre o vazio do peito e de certa forma me conforta de maneira um tanto irônica. O fato de perder seus defeitos é de certa forma assustador, por mais contraditório que isso possa parecer. Seus defeitos podem te servir de chão, como uma areia movediça que por mais que te puxe pra baixo e te engula aos poucos, é seu apoio pra se manter de pé quando nada mais te parece alcansável. Eles são seus motivos, suas desculpas. "Sou burro demais pra isso", "sou feio demais pra alguem gostar de mim", "sou fraco demais pra segurar esse problema sozinho". E se perder esses problemas? O que sobra? Quem sou "eu" sem o vazio?
Enquanto eu escrevia achei essa música que nunca tinha ouvido antes, mas combina perfeitamente.
"Se joga na primeira ousadia, que tá pra nascer o dia do futuro que te adora.
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela... Eu quero ser feliz agora"
E bota o microfone na lapela, olha pra vida e diz pra ela... Eu quero ser feliz agora"
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